Projeto quase
pronto me disse o arquiteto, trouxe um pendrive com os arquivos que eu tinha
pedido, fez o projeto estético e funcional para a nave que eu requisitei, sem
muitas delongas resolvi começar a construção da primeira nave de alta
desempenho já produzida pela raça humana, era a primeira que possuía energia
cem por cento limpa, não pensei hora nenhuma em comercializar nenhuma das peças
que eu inventei, minha vontade era sair viajando e descobrir planetas só vistos
por sondas. Provavelmente demoraria alguns meses para que a carcaça da nave
ficasse pronta, neste meio tempo resolvi criar um sistema operacional que
controlasse o sistema de navegação e suporte de vida diferente dos sistemas que
existiam no atual momento, com a ajuda de alguns colegas chegamos à criação de
um sistema impar que possuía inteligente artificial expansível mais programada
para dar suporte a qualquer necessidade humana. Mesmo tendo o sistema
operacional, e a parte de propulsão, a estrutura e a carenagem da nave, eu
esbarrava em dois dos fatores tão importantes quanto os anteriores, não possuía
um sistema de armazenamento de energia de grande porte, e também não possuía um
sistema de propulsão que tivesse desempenho e ao mesmo tempo não gastasse muita
energia, pesquisando alguns arquivos que eu ainda não entendia pelo fato de
minhas memórias estarem adormecidas na mente, acabei encontrando mais plantas e
esquemas eletrônicos, dessa vez continha símbolos diferentes dos usados em que
me lembrara, até mesmo um cálculo provavelmente feito por mim era diferente do
usual, continha algumas equações que eu não conhecia, comecei a me aprofundar
no estudo de todo aquele material quando minha cabeça começou a doer como se
estivesse atravessado algo no meu cérebro, a dor latejante parava por alguns
segundos e começava novamente até que veio uma imagem na minha mente, eu
conhecia aquele esquema de bateria, e ele não era algo criado por humanos e eu
conhecia aquele esquema muito bem, como se tivesse estudado em algum outro
lugar quando outra imagem veio em minha mente, realmente eu estive lá, o
acidente que me fez perder a memória era um teste que eles fizeram comigo, eles
não observaram direito, pois minha
inteligência era superior à maioria das pessoas pegas nessa experiência o que
modificava totalmente o resultado final dela, eu consegui lembrar o porque do
acidente, faltava só lembrar de como era minha vida à cinco anos atrás, aqueles
papeis não eram o esquema eletrônico de uma bateria, e sim uma celular de
energia a nível sub nuclear que observei enquanto estava preso no convés
daquela nave, todos o esquemas e projetos eram da nave que eu me encontrava
preso antes do acidente. Escrevendo contos.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
"Memórias" parte-5 "Bateria"
Projeto quase
pronto me disse o arquiteto, trouxe um pendrive com os arquivos que eu tinha
pedido, fez o projeto estético e funcional para a nave que eu requisitei, sem
muitas delongas resolvi começar a construção da primeira nave de alta
desempenho já produzida pela raça humana, era a primeira que possuía energia
cem por cento limpa, não pensei hora nenhuma em comercializar nenhuma das peças
que eu inventei, minha vontade era sair viajando e descobrir planetas só vistos
por sondas. Provavelmente demoraria alguns meses para que a carcaça da nave
ficasse pronta, neste meio tempo resolvi criar um sistema operacional que
controlasse o sistema de navegação e suporte de vida diferente dos sistemas que
existiam no atual momento, com a ajuda de alguns colegas chegamos à criação de
um sistema impar que possuía inteligente artificial expansível mais programada
para dar suporte a qualquer necessidade humana. Mesmo tendo o sistema
operacional, e a parte de propulsão, a estrutura e a carenagem da nave, eu
esbarrava em dois dos fatores tão importantes quanto os anteriores, não possuía
um sistema de armazenamento de energia de grande porte, e também não possuía um
sistema de propulsão que tivesse desempenho e ao mesmo tempo não gastasse muita
energia, pesquisando alguns arquivos que eu ainda não entendia pelo fato de
minhas memórias estarem adormecidas na mente, acabei encontrando mais plantas e
esquemas eletrônicos, dessa vez continha símbolos diferentes dos usados em que
me lembrara, até mesmo um cálculo provavelmente feito por mim era diferente do
usual, continha algumas equações que eu não conhecia, comecei a me aprofundar
no estudo de todo aquele material quando minha cabeça começou a doer como se
estivesse atravessado algo no meu cérebro, a dor latejante parava por alguns
segundos e começava novamente até que veio uma imagem na minha mente, eu
conhecia aquele esquema de bateria, e ele não era algo criado por humanos e eu
conhecia aquele esquema muito bem, como se tivesse estudado em algum outro
lugar quando outra imagem veio em minha mente, realmente eu estive lá, o
acidente que me fez perder a memória era um teste que eles fizeram comigo, eles
não observaram direito, pois minha
inteligência era superior à maioria das pessoas pegas nessa experiência o que
modificava totalmente o resultado final dela, eu consegui lembrar o porque do
acidente, faltava só lembrar de como era minha vida à cinco anos atrás, aqueles
papeis não eram o esquema eletrônico de uma bateria, e sim uma celular de
energia a nível sub nuclear que observei enquanto estava preso no convés
daquela nave, todos o esquemas e projetos eram da nave que eu me encontrava
preso antes do acidente. quarta-feira, 23 de outubro de 2013
"Memórias" parte-4
A primeira coisa que notei
ao acordar depois de algumas horas de sono profundo foi a minha vontade em
rever alguns arquivos, algumas peças se encaixavam outras não, no meio de tanta
informação algo estava perdido, faltava uma ponte entre os circuitos que eu
havia criado, era tudo muito novo para eu simplesmente procurar referência em
algum livrou ou através da internet, só me restava continuar analisando todos
os circuitos até conseguir pensar em algum jeito de montar todas as peças de
forma que não precisasse de um controlador digital, a ideia de ter um
computador para controlar todos os dispositivos me trazia lembranças de filmes
antigos onde as máquinas dominavam tudo, era exatamente o que acontecia no
presente, em cinco anos tudo foi substituído por uma máquina com um computador
central com inteligência artificial para controlar tudo ao redor, sei que
parece coisa de filme de ficção, mais é a realidade do meu tempo atual, não me
sentia confortável com tudo aquilo. Analisando algumas peças que foram jogadas
de canto na minha oficina, percebi que havia um circuito controlador que não
precisava de inteligência artificial mesmo sendo de alta precisão, estava
pensando em usar um conceito antigo de mesclar controles analógicos com sistema
eletrônico digital.
Resolvi organizar a
oficina, estava tudo uma bagunça, tinha pastas com arquivos espalhadas pra todo
lado que eu olhava, era muita papelada cheia de fórmulas e desenhos espalhada por
toda a oficina, não conseguia lembrar as ordens das folhas então decidi
aprofundar na análise de tudo aqui, acabei chegando a uma conclusão, a maioria
se tratava ser o diagrama do mesmo dispositivo, o gerador eletromagnético por
captura, estava a um passo de descobrir em que estava trabalhando antes do
acidente. Em algumas horas consegui juntar tudo aquilo, era cerca de setenta e
cinco folhas explicativas, tinha até sobre o conceito de cada circuito e como
eles interagiam entre si para formar o gerador, não era como os geradores
convencionais que precisavam transformar energia mecânica, este gerava a partir
de qualquer tipo de energia, sendo elétrica, eletromagnética, mecânica e
nuclear de fusão ou fissão, bastava estar próximo a algumas destas que ele
transformava tudo em energia em grande corrente e DDP para recarregar qualquer
tipo de bateria, era impressionante como eu havia descoberto algo daquele tipo,
era um substituto perfeito para os geradores atuais.
Após algumas semanas
juntando todos os dados sobre o gerador que eu tinha criado, resolvi
transformar tudo aquilo em realidade, comecei a montar o gerador em si, comprei
todas as peças eletrônicas que precisava e comecei a construir as partes que
faltavam, em dois meses consegui completar a tarefa de tornar tudo àquilo em
realidade, estava ali o gerador uni energético, prontinho para funcionar e o
primeiro passo era testar. Peguei um dos carros que eu tinha na minha garagem e
comecei o trabalho de converter o sistema mal feito pela empresa que fabricou
o, demorou algumas semanas e gastei algumas peças para converter o gerador
solar que havia no carro, de início não houve muita diferença em desempenho,
mais após liberar a produção de energia a vinte por cento fiquei espantado, a
liberação de energia era a nível exponencial, ao chegar aos 30% de geração de
energia as baterias explodiram mostrando que a potência do gerador não podia
ser testada com aquele tipo de armazenamento de energia, me lembrando de alguns
papeis que achei com diagrama de um novo tipo de armazenamento de energia, tudo
fazia sentido, eu estava criando uma nave espacial para percorrer grandiosas
distâncias, tinha certeza disso.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
"Memórias" parte-3
Logo após minha
saída do hospital, entrei no carro da minha esposa, tinha um cheiro
que me lembrava alguma viagem, provavelmente
era um resquício da minha memória perdida que vinha a tona, sentia
que aquele cheiro era muito familiar e acabei perguntando a ela o que
era aquela fragrância que eu sentia, sem muitas delongas ela me
respondeu que eu havia colocado no carro dela, que eu sempre lavava
os carros que possuíamos, afinal eu tinha ajudado a desenvolver
metade deles, fiquei bastante curioso sobre a parte de eu ter ajudado
a desenvolver.
Chegando em casa reparei que era uma residência
simples, com as janelas parecidas com as daquele quarto em que eu
acordara, a semelhança era tanta que eu fiquei impressionado,
parecia ser a mesma janela só que colocada em outro local, a casa
era espaçosa, não me lembrava de nada daquele lugar, entrei em
todos os cômodos e finalmente achei a minha oficina, estava mais
para um laboratório, cheio de peças e tranqueiras que eu
desconhecia, tudo aquilo me parecia fascinante, eu me sentia uma
criança entrando em uma loja de brinquedos pela primeira vez, havia
circuitos familiares amontoados em uma mesa que parecia ser a parte
da oficina reservada para desenvolvimento de equipamentos e
bugigangas eletrônicas, havia circuitos que me lembrava
perfeitamente tirando o fato de não lembrar de ter feito algum. Uma
das placas com circuito me chamava a atenção, quando eu estava para
formar na faculdade de engenharia
eletrônica aplicada a circuitos eu havia pensado em uma forma de
produzir energia através do campo magnético de objetos variados,
aquela ideia era totalmente sem noção na época, mais naquele
momento que vi a placa eu sabia que tinha chegado perto da ideia,
muitas das coisas que eu via naquela oficina/laboratório estimulava
minha mente, era como se eu soubesse de tudo aquilo, só não sabia
como tinha feito tudo.
Após
tomar um banho e comer um lanche com um gosto totalmente superior à
aquele encontrado no hospital, me sentei no sofá e continuei minha
busca por informação, chequei um e-mail antigo que eu tinha desde a
época de faculdade, lá poderia ter alguma informação sobre a
possível senha utilizada no arquivo pessoal que havia encontrado
anteriormente no laptop, achei vários e-mails sobre algumas das
parafernálias desenvolvidas na minha oficina, vários esquemas
eletrônicos que sem dúvidas nunca coloquei em prática, aquilo com
certeza era meu, pois conseguia decifrar facilmente os códigos
apresentados em alguns diagramas, sem dúvida era trabalho meu, eu
não tinha memória de nada daquilo, mais sabia exatamente o que era,
nunca me senti tão frustrado e ao mesmo tempo tão motivado a
lembrar como naquela hora, havia muitos trabalhos naquele e-mail,
provavelmente ninguém nunca tinha visto aqueles arquivos, então
resolvi juntar todos os meus trabalho antigos em uma pasta e tentar
visualizar algo novo, tentar juntar todas as peças e ver se me
lembrava de algo maior, eu tinha a sensação que tudo aquilo iria me
levar a algo grandioso, eu sentia que todos os meus trabalhos estavam
ligados um aos outros de alguma forma, como se eu tivesse
desenvolvendo algum tipo de nave, tinha todas as peças ali, todos os
esquemas que juntos poderiam ser integrados e se transformarem em
peças usadas nos carros que havia visto em um nível totalmente
diferente daqueles, o gerador baseado em gravidade poderia tornar uma
nave espacial libre de combustível fóssil ou nuclear por décadas,
bastaria passar perto da gravidade de um planeta que a nave começaria
a recarregar sozinha, era fantástico aquela ideia, mais de acordo
com os esquemas desenvolvido por mim, faltava algo naquele projeto de
gerador, que eu me lembre não existia o material de uma das peças
que parecia ser fundamental para o funcionamento do aparelho, era um
capturador de gravidade e ondas eletro magnéticas, havia alguns
espalhados pelo planeta porem o descrito no meu projeto eu nunca
havia visto anteriormente, o material que compunha a peça me parecia
inexistente.
Minha
esposa chegou do trabalho e resolveu me mostrar vídeos e fotos do
nosso casamento, havia centenas de terabytes de informação, era
muito material, sem delongas eu comecei a destrinchar os arquivos,
havia fotos que eu nunca imaginaria, eu com uma armadura explorando
alguns cânions de marte, tinha fotos de nós dois na lua ajudando a
dar manutenção nos respiradouros eletrônicos do satélite, parecia
que eu tinha um relacionamento muito forte com aquela mulher, eu
sentia que adorava ela, só não me lembrava dos momentos, as
memórias haviam sido apagadas, mais o sentimento ainda existia,
quando esbarrei novamente em um arquivo com a mesma descrição do
arquivo encontrado no laptop no hospital, eu devia estar criando algo
grandioso para manter tanto sigilo sobre aqueles arquivos, perguntei
para a Léa se ela sabia algo sobre o ultimo projeto em que eu
trabalhava, ela me disse com um tom meio choroso, “você disse que
quando estivesse pronto o mundo seria pequeno perto da sua criação”,
aquilo me instigou ainda mais a recuperar minhas memórias, mesmo se
fosse através de arquivos e evidências.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
"Memórias" parte-2
Não existiam carros que
voam, não era possível desenvolver o sistema de anti gravidade pelo fato de não Haver
energia suficiente para manter o carro em segurança, isso era o que eu
acreditava antes de acordar em um novo mundo, quando era mais jovem eu não me
ligava muito nesse tipo de tecnologia, carros para mim só serviam para nos
levar aos lugares que queríamos ir, nunca pensei de forma mais entusiasta sobre
as tecnologias empregadas na fabricação de um carro. O novo elemento químico
descoberto pelo meu pai entrava diretamente na lista dos produtos mais
importantes descobertos pela raça humana, era um condutor maleável que conduzia
centenas de vezes mais energia e com mais velocidade que os metais condutores
usados a algum tempo atrás, possibilitando um melhor aproveitamento da energia,
porém havia um problema, a fonte e forma de como era produzida energia para
suprir o carro não possibilitava o uso para voos, usávamos ainda o sistema de
combustão com alguns carros híbridos pelo que me lembro.
Tinha a sensação de que eu
deveria resolver aquele meu problema de memória, só que algo me chamava a
atenção, era uma garota de aparentemente dezessete anos de idade, com cabelos e
olhos cor de mel, ela era uma das que perdera a memória como eu, no caso dela,
ela estava participando de um jogo de basquete quando subitamente desmaiou
batendo a cabeça na grade que cercava a quadra, após alguns minutos de
conversa, ela me disse que conseguia ver a energia em volta dos objetos que
estivesse olhando, eu a entendia porque algo havia mudado em mim, conseguia
pensar de maneira diferente desde que acordei, eu não era mais o mesmo homem de
antes, eu podia sentir tudo ao meu redor, mesmo sem estar olhando, podia sentir
a alegria daquela garota ao olhar para o seu namorado que entrou no quarto para
a visitar, podia sentir a angustia de um dos acidentados que estava em coma
mesmo não estando perto dele, me sentia conectado com o mundo de uma forma que
nunca havia sentido antes de tudo aquilo, senti minha esposa entrando no
hospital e resolvi retornar ao meu quarto branco para recolher meus pertences e
em preparar para a chegada em casa, desliguei meu computador e troquei de
roupa, estava ansioso para ver onde eu morava, não tinha nem ideia como e onde
era o lugar, podia ser em qualquer lugar da terra, se fosse no planeta terra é
claro.
"Memórias" parte-1
Quanto tempo
levaria para lembrar algo? Poderia ser apenas uma pergunta qualquer
se não fosse o fato de eu ter esquecido o que aconteceu nos últimos
sete anos, eu me lembro apenas de chegar da faculdade e ir dormir,
acordei sete anos mais velho em uma cama de hospital sem conseguir
organizar muito bem minhas ideias. Havia uma mulher linda do meu lado
quando acordei, pensei comigo, será que ela me salvou do acidente
que o ma enfermeira havia me dito? tirando o fato dela ser linda
parecia que eu a conhecia, só não sabia de onde, ela era familiar,
lembrava uma das garotas do curso de matemática aplicada na
faculdade, quando perguntei quem era ela, rapidamente me respondeu
com um olhar triste, era minha mulher e seu nome era Léa, estávamos
casados a cinco anos, sem esquecer da feição triste dela ao me
olhar, virei para o lado fiquei pensando, havia uma lacuna temporal
entre os anos de 2022 e 2029.
O quarto do
hospital era totalmente branco, até mesmo os móveis que compunham a
arquitetura eram brancos, as janelas eram grandes e eram sensíveis a
luz, escureciam dependendo da intensidade luminosa da parte exterior
do prédio. Não possuía nenhum aparelho eletrônico no quarto porém
Léa havia deixado um laptop para mim, aquela máquina era
fantástica, muitas vezes superior às maquinas que eu conhecia, era
sensacional o desempenho que aquele objeto eletrônico possuía. Olhando pelas pastas de arquivo do computador, achei uma pasta com
arquivos sobre meu dia a dia, até parecia que eu estava prevendo
minha perda de memória, fiquei absolutamente curioso para ler aquele
arquivo, a única coisa que me dificultava era a senha para acessar,
abrir o arquivo, provavelmente seria alguma palavra fácil, do tipo
que eu nunca esqueceria, porém após o acidente eu não lembrava de
mais nada, uma senha era a menor parte da memória que eu gostaria de
lembrar. Sem poder abrir o arquivo, decidi me atualizar e aproveitei
meu estado enfermo para navegar na rede e ler os principais
acontecimentos nestes sete anos de escuridão. A primeira notícia
que me surpreendeu foi a descoberta de novos elementos químicos
todos feitos em laboratória, como eu era fascinado por química e
física desde pequeno percebi que aquela notícia era impactante, uma
delas me soava familiar pelo nome, resolvi fazer mais pesquisas e
descobri que meu pai havia descoberto aquele elemento a quatro anos
atrás, de repente eu fiquei bastante alegre com tudo aquilo, era
emocionante ver que o trabalho do meu velho havia dado certo, ele
conseguira criar o elemento que substituía os metais para a condução
de energia, aquela era apenas a primeira notícia que eu havia lido,
pelo jeito teria que redescobrir os últimos sete anos da minha vida.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
A chuva e o "EU".
Parei para olhar pela
janela do meu quarto, conseguia ver apenas alguns prédios e o céu escuro como
se uma tempestade estivesse a caminho, o cheiro de chuva estava no ar, até
mesmo o vento anunciava o temporal. Mais uma vez me senti sozinho observando a
ameaça de um pequeno dilúvio, era reconfortante imaginar alguma catástrofe, era
como se eu precisasse de algo grandioso que desse sentido a minha vida. Começou
a chover, coloquei minha mão do lado de fora da janela para sentir a
temperatura da chuva, estava fria, assim como meu coração naquele momento, tudo
não passava de uma tristeza infinita, minhas ideias não me ajudavam a melhorar,
só me mostrava um lado obscuro sobre tudo, o tempo parou para mim, só que a
chuva continuava caindo, o tudo não se importava comigo, nem com ninguém,
afinal éramos peças muito pequenas não temos tanta importância no funcionamento
do mundo, esse era a visão obscura.

A esperança de participar
de algo realmente grande, me deixa menos triste, não tem muitas coisas que dão
sentido para a vida, acho que somente a luta pela sobrevivência poderia dar tal
sentido, não como lutamos em nossos escritórios e serviços, eu digo lutar de
verdade, como uma presa foge de um leão. Talvez aquela chuva pudesse se tornar
um dilúvio de verdade, e eu teria que desenvolver um jeito de sobreviver aquilo
tudo, essa era minha vontade.
A chuva passou e nada
aconteceu, não houve dilúvio e eu não precisei sobreviver a nada catastrófico,
restou apenas uma coisa boa da chuva,
ela molhou o solo e trouxe vida para vários tipos de plantas e animais, e eu
aqui pedindo uma catástrofe.
Realmente sou uma peça
quebrada desse mecanismo, pela primeira vez entendi que meu lugar pode não ser aqui, que talvez eu me encaixe em outro mecanismo em outro lugar, mais por enquanto vou aprendendo a ver a beleza do mundo, vou observar, e talvez eu crie meu próprio mecanismo onde eu me encaixe.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Dia nublado
-Hoje eu não quero sonhar, disse o homem antes de dormir, pode ser que
eu tente me prender em algo irreal que minha mente cria toda vez q eu durmo
profundamente, tinha vezes que não conseguia distinguir entre realidade e
fantasia após acordar de um sonho extremamente realístico. Sua imaginação era
tão fértil que mesmo um cochilo poderia se transformar em uma viajem por um
mundo nunca conhecido antes do beijo de Morpheus, parecia um estranho com
vontade de dormir uma vez durante meses.
Ele sonhou com o mundo, com pessoas desconhecidas e com um céu
nublado, um dia diferente onde tudo aconteceria de forma estranha, até mesmo o
cantar do galo matinal não era o mesmo conhecido por nós, ele soava tão triste
e tão mórbido como se soubesse de algo que estaria para acontecer, sabia que o
mundo como conhecemos mudaria após esse dia nublado, o céu era um cinza
metálico como se tivessem colocado papel laminado de alumínio no céu, havia certo
brilho que o tornava magnífico de se ver, era raro ver um céu nublado com um
tom tão bonito. Os raios de sol quase não conseguiam atravessar aquele mar de
nuvens cinza metálico que estavam estacionadas no céu naquele dia, a luz
parecia se acumular na nuvem e depois ser refletida para o solo, como se fosse
um espelho sem reflexo de imagens, apenas a luz parecia vir de outro lugar.
As aves não estavam no céu como rotineiramente, estavam escondidas
como se o dia não estivesse começado ainda, o relógio biológico do mundo
parecia diferente, apenas algumas pessoas compartilhavam daquela visão do céu,
a maioria estava dormindo profundamente enquanto o mundo estava mudado, com uma
expressão divina, como se todo o mistério da vida estivesse ali naquele céu metálico,
aquele lugar o lembrava do Olimpo, ou então até mesmo o paraíso.
Mas em todo sonho uma hora ele tinha que acordar e encarar a
realidade, o despertador toca e ele acorda com um gosto estranho na boca, dessa
vez ele quase se perdeu de novo entre o real e o imaginário, somente a imagem
de sua mulher lhe confortando era suficiente para o ajudar a distinguir entre
os mundos, apenas o amor de alguém poderia o ajudar a se situar em algum lugar
e assim ele desejara dormir somente uma vez por mês novamente, pena que o corpo
desejasse dormir todo dia.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Desigual
Acordei com cheiro de sangue nas mãos, não sei de onde veio
esse cheio, poderia ser minha mente tentando pregar alguma peça? Não consigo
entender, apenas o cheio persiste, minhas ideias se foram junto com meus
sonhos.
Tonto de tanto tentar achar algo que faça sentido, não
consigo enxergar nenhum caminho, meu tempo está nublado, minhas nuvens são
cinza como a poeira deixada pelo fogo, só espera a hora certa de ir embora, só
espero a hora certa para dormir.
Sei que os dias são diferentes, só que nos últimos anos eles
tem sido iguais, nada mudou desde os vinte e dois, nada melhorou, tudo piorou,
ao passar do tempo começamos a perceber o quão frágil são nossas vidas, como em
uma batida tudo muda, não entendo como pode ser tão desigual à vida das
pessoas, espero que a maioria delas não sinta esse buraco no peito, esse
desespero de esperar por algo que pode durar a vida inteira.
Hoje não consigo ver o mundo como via antes de cair, não
consigo mais sentir apego a pequenas coisas, é como se tudo fosse mudar de
repente, só que não muda, nunca muda.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Exercício de escrita 03 - Primeira estória - Parte 7 - Pensamentos
Sentia um medo de ser caçado por algo
totalmente desconhecido, era uma mistura de felino noturno e monstro canino, se
tivesse o olfato apurado, provavelmente nos acharia facilmente, mais percebi
que não tinha. Comecei a usar a única arma naquele momento, minha inteligência,
fiquei pensando e tentando bolar uma possível solução para este problema, teria
que pensar rápido, pois ao sair do prédio poderia me tornar comida de algum ser
monstruoso. Fiquei horas bolando alguns planos emergenciais para no caso de
topar de frente com aquela besta, tudo parecia muito turvo na minha mente, o
fato de desconhecer a origem do ser, me deixava assustado e de certa forma
extasiado de conhecer algo realmente novo, preparei algumas armadilhas no
saguão do prédio antes de deixar o lugar, tinha que ter certeza que o monstro
não ia me perseguir, usei alguns pedaços de carne que tinha guardado em minha
mochila e coloquei um tipo de gaiola que cairia no monstro caso ele chegasse
perto da armadilha, a garota estava assustada com tudo aquilo, por sorte eu
consegui conter meu medo e pensar em algumas estratégias caso nada daquilo
funcionasse, eu estava preparado para guerrear com aquele monstro.
Já era quase de manhã e eu não consegui
dormir, a sensação de ser uma possível presa me deixava totalmente sem sono,
não era medo, era um receio muito grande de não conseguir agir no momento
certo, precisava estar atento a todo o momento, não podia vacilar, precisava
encontrar meu irmão e a mãe da garota, o tempo era um dos vilões. Saindo do
prédio, cuidadosamente eu observei por todo o lugar onde eu havia visto o monstro,
não consegui achar nada que me desse uma ideia sobre a origem do ser. Tudo parecia
normal tirando o sangue deixado para trás, o interessante é que não havia
rastro de sangue, somente uma pequena poça no lugar onde a presa havia sido
abatida, era como se o monstro tivesse sugado o sangue da presa na hora do
ataque, era confuso pois vi garras do tamanho de faca dilacerando a caça, não
me parecia fazer muito sentido a falta se sangue, comecei a duvidar sobre o que
eu havia visto naquela noite, talvez tudo o que passei anteriormente estava
prejudicando meu discernimento, eu poderia ter visto algo diferente do que
tinha acontecido no lugar.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Mudança Mundana
Sinto como se eu estivesse andando vagarosamente
pela cidade tentando ouvir o som da natureza, da mesma forma se comporta meu coração
tentando ouvir a batida de outro como ele, é triste saber que falta muito para
que todos entendam as alterações mundanas, o difícil da vida é justamente
aceitar algo que não acreditamos de começo, aprender que a mudança é a chave
para a evolução. Mesmo querendo mudar, a pior parte de tudo é avaliar o que
deve ser mudado e o que devemos manter.
A preguiça e medo acabam destruindo nossos
sonhos, confundindo nossa mente e certas vezes transviando nossa personalidade,
seria mais fácil se agente aceitasse a verdade do mundo, ele está em constante
mudança assim como nós mesmos, o problema é aceitar tudo e se sentir bem em ser
uma pessoa diferente hoje, espero que o tempo tenha a resposta para nossos
questionamentos internos, que a maturidade chegue fazendo festa que a alegria
seja eterna enquanto dure, e a tristeza nos faça dar mais um passo em direção à
felicidade.
Hoje eu sou o que ontem eu queria ser no futuro, difícil explicar algo sem dar exemplos, sem tentar excitar a mente mesmo que seja um pouco. Acho que estou caminhando rumo ao que pretendo, acho que o tempo está virando meu amigo e a vida se tornando minha mestra.
Só lhe peço que não contrarie muito seu coração, nossa racionalidade é uma parte muito pequena do nosso ser, existe coisas que nunca entenderemos, mais que existem mesmo assim, não precisamos ver o ar para respirar.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Hollow
Não lembro quanto tempo faz, andávamos
olhando para frente e para os lados, nunca para trás, sempre tentando entender
e enxergar o terreno, tentar fazer a melhor caminhada possível, não me parecia
difícil naquela época, quando estávamos juntos, tudo parecia provável, hoje
sinto apenas saudade, saudade de algo que nunca aconteceu de verdade, apenas
minha imaginação sabe o quanto eu queria que tudo tivesse acontecido, apenas
queria ficar preso a essa memória criada por uma mente solitária, talvez meu
paraíso se encontre em mim mesmo. Os dias se passam e eu não vejo a hora de
encontrar um lugar melhor, pelo que parece eu já encontrei, mais lá não posso
tocar nem sentir como aqui no mundo real, ainda não aprendi a viver em um
sonho. Agora eu entendo como fui impaciente, tudo que precisava fazer era apenas seguir em frente, continuar, não fraquejar, perdi minha alma quando descobri que não a tinha. Perdi meu amor quando descobri que ele não existia.
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