terça-feira, 29 de outubro de 2013

"Memórias" parte-5 "Bateria"



Projeto quase pronto me disse o arquiteto, trouxe um pendrive com os arquivos que eu tinha pedido, fez o projeto estético e funcional para a nave que eu requisitei, sem muitas delongas resolvi começar a construção da primeira nave de alta desempenho já produzida pela raça humana, era a primeira que possuía energia cem por cento limpa, não pensei hora nenhuma em comercializar nenhuma das peças que eu inventei, minha vontade era sair viajando e descobrir planetas só vistos por sondas. Provavelmente demoraria alguns meses para que a carcaça da nave ficasse pronta, neste meio tempo resolvi criar um sistema operacional que controlasse o sistema de navegação e suporte de vida diferente dos sistemas que existiam no atual momento, com a ajuda de alguns colegas chegamos à criação de um sistema impar que possuía inteligente artificial expansível mais programada para dar suporte a qualquer necessidade humana. Mesmo tendo o sistema operacional, e a parte de propulsão, a estrutura e a carenagem da nave, eu esbarrava em dois dos fatores tão importantes quanto os anteriores, não possuía um sistema de armazenamento de energia de grande porte, e também não possuía um sistema de propulsão que tivesse desempenho e ao mesmo tempo não gastasse muita energia, pesquisando alguns arquivos que eu ainda não entendia pelo fato de minhas memórias estarem adormecidas na mente, acabei encontrando mais plantas e esquemas eletrônicos, dessa vez continha símbolos diferentes dos usados em que me lembrara, até mesmo um cálculo provavelmente feito por mim era diferente do usual, continha algumas equações que eu não conhecia, comecei a me aprofundar no estudo de todo aquele material quando minha cabeça começou a doer como se estivesse atravessado algo no meu cérebro, a dor latejante parava por alguns segundos e começava novamente até que veio uma imagem na minha mente, eu conhecia aquele esquema de bateria, e ele não era algo criado por humanos e eu conhecia aquele esquema muito bem, como se tivesse estudado em algum outro lugar quando outra imagem veio em minha mente, realmente eu estive lá, o acidente que me fez perder a memória era um teste que eles fizeram comigo, eles não observaram direito, pois  minha inteligência era superior à maioria das pessoas pegas nessa experiência o que modificava totalmente o resultado final dela, eu consegui lembrar o porque do acidente, faltava só lembrar de como era minha vida à cinco anos atrás, aqueles papeis não eram o esquema eletrônico de uma bateria, e sim uma celular de energia a nível sub nuclear que observei enquanto estava preso no convés daquela nave, todos o esquemas e projetos eram da nave que eu me encontrava preso antes do acidente.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Memórias" parte-4


A primeira coisa que notei ao acordar depois de algumas horas de sono profundo foi a minha vontade em rever alguns arquivos, algumas peças se encaixavam outras não, no meio de tanta informação algo estava perdido, faltava uma ponte entre os circuitos que eu havia criado, era tudo muito novo para eu simplesmente procurar referência em algum livrou ou através da internet, só me restava continuar analisando todos os circuitos até conseguir pensar em algum jeito de montar todas as peças de forma que não precisasse de um controlador digital, a ideia de ter um computador para controlar todos os dispositivos me trazia lembranças de filmes antigos onde as máquinas dominavam tudo, era exatamente o que acontecia no presente, em cinco anos tudo foi substituído por uma máquina com um computador central com inteligência artificial para controlar tudo ao redor, sei que parece coisa de filme de ficção, mais é a realidade do meu tempo atual, não me sentia confortável com tudo aquilo. Analisando algumas peças que foram jogadas de canto na minha oficina, percebi que havia um circuito controlador que não precisava de inteligência artificial mesmo sendo de alta precisão, estava pensando em usar um conceito antigo de mesclar controles analógicos com sistema eletrônico digital.

Resolvi organizar a oficina, estava tudo uma bagunça, tinha pastas com arquivos espalhadas pra todo lado que eu olhava, era muita papelada cheia de fórmulas e desenhos espalhada por toda a oficina, não conseguia lembrar as ordens das folhas então decidi aprofundar na análise de tudo aqui, acabei chegando a uma conclusão, a maioria se tratava ser o diagrama do mesmo dispositivo, o gerador eletromagnético por captura, estava a um passo de descobrir em que estava trabalhando antes do acidente. Em algumas horas consegui juntar tudo aquilo, era cerca de setenta e cinco folhas explicativas, tinha até sobre o conceito de cada circuito e como eles interagiam entre si para formar o gerador, não era como os geradores convencionais que precisavam transformar energia mecânica, este gerava a partir de qualquer tipo de energia, sendo elétrica, eletromagnética, mecânica e nuclear de fusão ou fissão, bastava estar próximo a algumas destas que ele transformava tudo em energia em grande corrente e DDP para recarregar qualquer tipo de bateria, era impressionante como eu havia descoberto algo daquele tipo, era um substituto perfeito para os geradores atuais.

Após algumas semanas juntando todos os dados sobre o gerador que eu tinha criado, resolvi transformar tudo aquilo em realidade, comecei a montar o gerador em si, comprei todas as peças eletrônicas que precisava e comecei a construir as partes que faltavam, em dois meses consegui completar a tarefa de tornar tudo àquilo em realidade, estava ali o gerador uni energético, prontinho para funcionar e o primeiro passo era testar. Peguei um dos carros que eu tinha na minha garagem e comecei o trabalho de converter o sistema mal feito pela empresa que fabricou o, demorou algumas semanas e gastei algumas peças para converter o gerador solar que havia no carro, de início não houve muita diferença em desempenho, mais após liberar a produção de energia a vinte por cento fiquei espantado, a liberação de energia era a nível exponencial, ao chegar aos 30% de geração de energia as baterias explodiram mostrando que a potência do gerador não podia ser testada com aquele tipo de armazenamento de energia, me lembrando de alguns papeis que achei com diagrama de um novo tipo de armazenamento de energia, tudo fazia sentido, eu estava criando uma nave espacial para percorrer grandiosas distâncias, tinha certeza disso.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Memórias" parte-3

Logo após minha saída do hospital, entrei no carro da minha esposa, tinha um cheiro que me lembrava alguma viagem, provavelmente era um resquício da minha memória perdida que vinha a tona, sentia que aquele cheiro era muito familiar e acabei perguntando a ela o que era aquela fragrância que eu sentia, sem muitas delongas ela me respondeu que eu havia colocado no carro dela, que eu sempre lavava os carros que possuíamos, afinal eu tinha ajudado a desenvolver metade deles, fiquei bastante curioso sobre a parte de eu ter ajudado a desenvolver. 

Chegando em casa reparei que era uma residência simples, com as janelas parecidas com as daquele quarto em que eu acordara, a semelhança era tanta que eu fiquei impressionado, parecia ser a mesma janela só que colocada em outro local, a casa era espaçosa, não me lembrava de nada daquele lugar, entrei em todos os cômodos e finalmente achei a minha oficina, estava mais para um laboratório, cheio de peças e tranqueiras que eu desconhecia, tudo aquilo me parecia fascinante, eu me sentia uma criança entrando em uma loja de brinquedos pela primeira vez, havia circuitos familiares amontoados em uma mesa que parecia ser a parte da oficina reservada para desenvolvimento de equipamentos e bugigangas eletrônicas, havia circuitos que me lembrava perfeitamente tirando o fato de não lembrar de ter feito algum. Uma das placas com circuito me chamava a atenção, quando eu estava para formar na faculdade de engenharia eletrônica aplicada a circuitos eu havia pensado em uma forma de produzir energia através do campo magnético de objetos variados, aquela ideia era totalmente sem noção na época, mais naquele momento que vi a placa eu sabia que tinha chegado perto da ideia, muitas das coisas que eu via naquela oficina/laboratório estimulava minha mente, era como se eu soubesse de tudo aquilo, só não sabia como tinha feito tudo.

Após tomar um banho e comer um lanche com um gosto totalmente superior à aquele encontrado no hospital, me sentei no sofá e continuei minha busca por informação, chequei um e-mail antigo que eu tinha desde a época de faculdade, lá poderia ter alguma informação sobre a possível senha utilizada no arquivo pessoal que havia encontrado anteriormente no laptop, achei vários e-mails sobre algumas das parafernálias desenvolvidas na minha oficina, vários esquemas eletrônicos que sem dúvidas nunca coloquei em prática, aquilo com certeza era meu, pois conseguia decifrar facilmente os códigos apresentados em alguns diagramas, sem dúvida era trabalho meu, eu não tinha memória de nada daquilo, mais sabia exatamente o que era, nunca me senti tão frustrado e ao mesmo tempo tão motivado a lembrar como naquela hora, havia muitos trabalhos naquele e-mail, provavelmente ninguém nunca tinha visto aqueles arquivos, então resolvi juntar todos os meus trabalho antigos em uma pasta e tentar visualizar algo novo, tentar juntar todas as peças e ver se me lembrava de algo maior, eu tinha a sensação que tudo aquilo iria me levar a algo grandioso, eu sentia que todos os meus trabalhos estavam ligados um aos outros de alguma forma, como se eu tivesse desenvolvendo algum tipo de nave, tinha todas as peças ali, todos os esquemas que juntos poderiam ser integrados e se transformarem em peças usadas nos carros que havia visto em um nível totalmente diferente daqueles, o gerador baseado em gravidade poderia tornar uma nave espacial libre de combustível fóssil ou nuclear por décadas, bastaria passar perto da gravidade de um planeta que a nave começaria a recarregar sozinha, era fantástico aquela ideia, mais de acordo com os esquemas desenvolvido por mim, faltava algo naquele projeto de gerador, que eu me lembre não existia o material de uma das peças que parecia ser fundamental para o funcionamento do aparelho, era um capturador de gravidade e ondas eletro magnéticas, havia alguns espalhados pelo planeta porem o descrito no meu projeto eu nunca havia visto anteriormente, o material que compunha a peça me parecia inexistente.

Minha esposa chegou do trabalho e resolveu me mostrar vídeos e fotos do nosso casamento, havia centenas de terabytes de informação, era muito material, sem delongas eu comecei a destrinchar os arquivos, havia fotos que eu nunca imaginaria, eu com uma armadura explorando alguns cânions de marte, tinha fotos de nós dois na lua ajudando a dar manutenção nos respiradouros eletrônicos do satélite, parecia que eu tinha um relacionamento muito forte com aquela mulher, eu sentia que adorava ela, só não me lembrava dos momentos, as memórias haviam sido apagadas, mais o sentimento ainda existia, quando esbarrei novamente em um arquivo com a mesma descrição do arquivo encontrado no laptop no hospital, eu devia estar criando algo grandioso para manter tanto sigilo sobre aqueles arquivos, perguntei para a Léa se ela sabia algo sobre o ultimo projeto em que eu trabalhava, ela me disse com um tom meio choroso, “você disse que quando estivesse pronto o mundo seria pequeno perto da sua criação”, aquilo me instigou ainda mais a recuperar minhas memórias, mesmo se fosse através de arquivos e evidências.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"Memórias" parte-2

Não existiam carros que voam, não era possível desenvolver o sistema de anti gravidade pelo fato de não Haver energia suficiente para manter o carro em segurança, isso era o que eu acreditava antes de acordar em um novo mundo, quando era mais jovem eu não me ligava muito nesse tipo de tecnologia, carros para mim só serviam para nos levar aos lugares que queríamos ir, nunca pensei de forma mais entusiasta sobre as tecnologias empregadas na fabricação de um carro. O novo elemento químico descoberto pelo meu pai entrava diretamente na lista dos produtos mais importantes descobertos pela raça humana, era um condutor maleável que conduzia centenas de vezes mais energia e com mais velocidade que os metais condutores usados a algum tempo atrás, possibilitando um melhor aproveitamento da energia, porém havia um problema, a fonte e forma de como era produzida energia para suprir o carro não possibilitava o uso para voos, usávamos ainda o sistema de combustão com alguns carros híbridos pelo que me lembro.

Finalmente ganhei alta do hospital branco em que acordei, o que mais me assustava era o fato de ter me encontrado apenas com três pessoas nas três semanas que estive deitado naquela cama, sentia como se eu estivesse em um lugar fantasma, não vi nem ouvi movimentos durante minha estadia naquele local sem cor cheguei a pensar que era o único paciente naquele hospital, ao sair do quarto descobri que havia centenas de pessoas naquele hospital, eu era um das duzentas e cinquenta pessoas que haviam se acidentado de alguma forma no mesmo período que o meu, algumas pessoas não aguentaram e morreu na recuperação, nenhum médico entendia muito bem o que havia acontecido naquela noite, somente quatro pessoas sofreram trauma cerebral com perda de memória, eu era uma delas, ao passear pelo local descobri conversando com uma enfermeira como fui encontrado, eu ela disse que provavelmente eu estava trabalhando em algo na minha oficina quando de repente desmaiei da mesma forma que as outras duzentas e cinquenta pessoas.

Tinha a sensação de que eu deveria resolver aquele meu problema de memória, só que algo me chamava a atenção, era uma garota de aparentemente dezessete anos de idade, com cabelos e olhos cor de mel, ela era uma das que perdera a memória como eu, no caso dela, ela estava participando de um jogo de basquete quando subitamente desmaiou batendo a cabeça na grade que cercava a quadra, após alguns minutos de conversa, ela me disse que conseguia ver a energia em volta dos objetos que estivesse olhando, eu a entendia porque algo havia mudado em mim, conseguia pensar de maneira diferente desde que acordei, eu não era mais o mesmo homem de antes, eu podia sentir tudo ao meu redor, mesmo sem estar olhando, podia sentir a alegria daquela garota ao olhar para o seu namorado que entrou no quarto para a visitar, podia sentir a angustia de um dos acidentados que estava em coma mesmo não estando perto dele, me sentia conectado com o mundo de uma forma que nunca havia sentido antes de tudo aquilo, senti minha esposa entrando no hospital e resolvi retornar ao meu quarto branco para recolher meus pertences e em preparar para a chegada em casa, desliguei meu computador e troquei de roupa, estava ansioso para ver onde eu morava, não tinha nem ideia como e onde era o lugar, podia ser em qualquer lugar da terra, se fosse no planeta terra é claro.

"Memórias" parte-1

Quanto tempo levaria para lembrar algo? Poderia ser apenas uma pergunta qualquer se não fosse o fato de eu ter esquecido o que aconteceu nos últimos sete anos, eu me lembro apenas de chegar da faculdade e ir dormir, acordei sete anos mais velho em uma cama de hospital sem conseguir organizar muito bem minhas ideias. Havia uma mulher linda do meu lado quando acordei, pensei comigo, será que ela me salvou do acidente que o ma enfermeira havia me dito? tirando o fato dela ser linda parecia que eu a conhecia, só não sabia de onde, ela era familiar, lembrava uma das garotas do curso de matemática aplicada na faculdade, quando perguntei quem era ela, rapidamente me respondeu com um olhar triste, era minha mulher e seu nome era Léa, estávamos casados a cinco anos, sem esquecer da feição triste dela ao me olhar, virei para o lado fiquei pensando, havia uma lacuna temporal entre os anos de 2022 e 2029.

O quarto do hospital era totalmente branco, até mesmo os móveis que compunham a arquitetura eram brancos, as janelas eram grandes e eram sensíveis a luz, escureciam dependendo da intensidade luminosa da parte exterior do prédio. Não possuía nenhum aparelho eletrônico no quarto porém Léa havia deixado um laptop para mim, aquela máquina era fantástica, muitas vezes superior às maquinas que eu conhecia, era sensacional o desempenho que aquele objeto eletrônico possuía. Olhando pelas pastas de arquivo do computador, achei uma pasta com arquivos sobre meu dia a dia, até parecia que eu estava prevendo minha perda de memória, fiquei absolutamente curioso para ler aquele arquivo, a única coisa que me dificultava era a senha para acessar, abrir o arquivo, provavelmente seria alguma palavra fácil, do tipo que eu nunca esqueceria, porém após o acidente eu não lembrava de mais nada, uma senha era a menor parte da memória que eu gostaria de lembrar. Sem poder abrir o arquivo, decidi me atualizar e aproveitei meu estado enfermo para navegar na rede e ler os principais acontecimentos nestes sete anos de escuridão. A primeira notícia que me surpreendeu foi a descoberta de novos elementos químicos todos feitos em laboratória, como eu era fascinado por química e física desde pequeno percebi que aquela notícia era impactante, uma delas me soava familiar pelo nome, resolvi fazer mais pesquisas e descobri que meu pai havia descoberto aquele elemento a quatro anos atrás, de repente eu fiquei bastante alegre com tudo aquilo, era emocionante ver que o trabalho do meu velho havia dado certo, ele conseguira criar o elemento que substituía os metais para a condução de energia, aquela era apenas a primeira notícia que eu havia lido, pelo jeito teria que redescobrir os últimos sete anos da minha vida.