segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"Memórias" parte-2

Não existiam carros que voam, não era possível desenvolver o sistema de anti gravidade pelo fato de não Haver energia suficiente para manter o carro em segurança, isso era o que eu acreditava antes de acordar em um novo mundo, quando era mais jovem eu não me ligava muito nesse tipo de tecnologia, carros para mim só serviam para nos levar aos lugares que queríamos ir, nunca pensei de forma mais entusiasta sobre as tecnologias empregadas na fabricação de um carro. O novo elemento químico descoberto pelo meu pai entrava diretamente na lista dos produtos mais importantes descobertos pela raça humana, era um condutor maleável que conduzia centenas de vezes mais energia e com mais velocidade que os metais condutores usados a algum tempo atrás, possibilitando um melhor aproveitamento da energia, porém havia um problema, a fonte e forma de como era produzida energia para suprir o carro não possibilitava o uso para voos, usávamos ainda o sistema de combustão com alguns carros híbridos pelo que me lembro.

Finalmente ganhei alta do hospital branco em que acordei, o que mais me assustava era o fato de ter me encontrado apenas com três pessoas nas três semanas que estive deitado naquela cama, sentia como se eu estivesse em um lugar fantasma, não vi nem ouvi movimentos durante minha estadia naquele local sem cor cheguei a pensar que era o único paciente naquele hospital, ao sair do quarto descobri que havia centenas de pessoas naquele hospital, eu era um das duzentas e cinquenta pessoas que haviam se acidentado de alguma forma no mesmo período que o meu, algumas pessoas não aguentaram e morreu na recuperação, nenhum médico entendia muito bem o que havia acontecido naquela noite, somente quatro pessoas sofreram trauma cerebral com perda de memória, eu era uma delas, ao passear pelo local descobri conversando com uma enfermeira como fui encontrado, eu ela disse que provavelmente eu estava trabalhando em algo na minha oficina quando de repente desmaiei da mesma forma que as outras duzentas e cinquenta pessoas.

Tinha a sensação de que eu deveria resolver aquele meu problema de memória, só que algo me chamava a atenção, era uma garota de aparentemente dezessete anos de idade, com cabelos e olhos cor de mel, ela era uma das que perdera a memória como eu, no caso dela, ela estava participando de um jogo de basquete quando subitamente desmaiou batendo a cabeça na grade que cercava a quadra, após alguns minutos de conversa, ela me disse que conseguia ver a energia em volta dos objetos que estivesse olhando, eu a entendia porque algo havia mudado em mim, conseguia pensar de maneira diferente desde que acordei, eu não era mais o mesmo homem de antes, eu podia sentir tudo ao meu redor, mesmo sem estar olhando, podia sentir a alegria daquela garota ao olhar para o seu namorado que entrou no quarto para a visitar, podia sentir a angustia de um dos acidentados que estava em coma mesmo não estando perto dele, me sentia conectado com o mundo de uma forma que nunca havia sentido antes de tudo aquilo, senti minha esposa entrando no hospital e resolvi retornar ao meu quarto branco para recolher meus pertences e em preparar para a chegada em casa, desliguei meu computador e troquei de roupa, estava ansioso para ver onde eu morava, não tinha nem ideia como e onde era o lugar, podia ser em qualquer lugar da terra, se fosse no planeta terra é claro.