Parei para olhar pela
janela do meu quarto, conseguia ver apenas alguns prédios e o céu escuro como
se uma tempestade estivesse a caminho, o cheiro de chuva estava no ar, até
mesmo o vento anunciava o temporal. Mais uma vez me senti sozinho observando a
ameaça de um pequeno dilúvio, era reconfortante imaginar alguma catástrofe, era
como se eu precisasse de algo grandioso que desse sentido a minha vida. Começou
a chover, coloquei minha mão do lado de fora da janela para sentir a
temperatura da chuva, estava fria, assim como meu coração naquele momento, tudo
não passava de uma tristeza infinita, minhas ideias não me ajudavam a melhorar,
só me mostrava um lado obscuro sobre tudo, o tempo parou para mim, só que a
chuva continuava caindo, o tudo não se importava comigo, nem com ninguém,
afinal éramos peças muito pequenas não temos tanta importância no funcionamento
do mundo, esse era a visão obscura.

A esperança de participar
de algo realmente grande, me deixa menos triste, não tem muitas coisas que dão
sentido para a vida, acho que somente a luta pela sobrevivência poderia dar tal
sentido, não como lutamos em nossos escritórios e serviços, eu digo lutar de
verdade, como uma presa foge de um leão. Talvez aquela chuva pudesse se tornar
um dilúvio de verdade, e eu teria que desenvolver um jeito de sobreviver aquilo
tudo, essa era minha vontade.
A chuva passou e nada
aconteceu, não houve dilúvio e eu não precisei sobreviver a nada catastrófico,
restou apenas uma coisa boa da chuva,
ela molhou o solo e trouxe vida para vários tipos de plantas e animais, e eu
aqui pedindo uma catástrofe.
Realmente sou uma peça
quebrada desse mecanismo, pela primeira vez entendi que meu lugar pode não ser aqui, que talvez eu me encaixe em outro mecanismo em outro lugar, mais por enquanto vou aprendendo a ver a beleza do mundo, vou observar, e talvez eu crie meu próprio mecanismo onde eu me encaixe.
