segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A chuva e o "EU".


Parei para olhar pela janela do meu quarto, conseguia ver apenas alguns prédios e o céu escuro como se uma tempestade estivesse a caminho, o cheiro de chuva estava no ar, até mesmo o vento anunciava o temporal. Mais uma vez me senti sozinho observando a ameaça de um pequeno dilúvio, era reconfortante imaginar alguma catástrofe, era como se eu precisasse de algo grandioso que desse sentido a minha vida. Começou a chover, coloquei minha mão do lado de fora da janela para sentir a temperatura da chuva, estava fria, assim como meu coração naquele momento, tudo não passava de uma tristeza infinita, minhas ideias não me ajudavam a melhorar, só me mostrava um lado obscuro sobre tudo, o tempo parou para mim, só que a chuva continuava caindo, o tudo não se importava comigo, nem com ninguém, afinal éramos peças muito pequenas não temos tanta importância no funcionamento do mundo, esse era a visão obscura.



A esperança de participar de algo realmente grande, me deixa menos triste, não tem muitas coisas que dão sentido para a vida, acho que somente a luta pela sobrevivência poderia dar tal sentido, não como lutamos em nossos escritórios e serviços, eu digo lutar de verdade, como uma presa foge de um leão. Talvez aquela chuva pudesse se tornar um dilúvio de verdade, e eu teria que desenvolver um jeito de sobreviver aquilo tudo, essa era minha vontade.

A chuva passou e nada aconteceu, não houve dilúvio e eu não precisei sobreviver a nada catastrófico, restou apenas  uma coisa boa da chuva, ela molhou o solo e trouxe vida para vários tipos de plantas e animais, e eu aqui pedindo uma catástrofe.

Realmente sou uma peça quebrada desse mecanismo, pela primeira vez entendi que meu lugar pode não ser aqui, que talvez eu me encaixe em outro mecanismo em outro lugar, mais por enquanto vou aprendendo a ver a beleza do mundo, vou observar, e talvez eu crie meu próprio mecanismo onde eu me encaixe.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dia nublado


-Hoje eu não quero sonhar, disse o homem antes de dormir, pode ser que eu tente me prender em algo irreal que minha mente cria toda vez q eu durmo profundamente, tinha vezes que não conseguia distinguir entre realidade e fantasia após acordar de um sonho extremamente realístico. Sua imaginação era tão fértil que mesmo um cochilo poderia se transformar em uma viajem por um mundo nunca conhecido antes do beijo de Morpheus, parecia um estranho com vontade de dormir uma vez durante meses.

Ele sonhou com o mundo, com pessoas desconhecidas e com um céu nublado, um dia diferente onde tudo aconteceria de forma estranha, até mesmo o cantar do galo matinal não era o mesmo conhecido por nós, ele soava tão triste e tão mórbido como se soubesse de algo que estaria para acontecer, sabia que o mundo como conhecemos mudaria após esse dia nublado, o céu era um cinza metálico como se tivessem colocado papel laminado de alumínio no céu, havia certo brilho que o tornava magnífico de se ver, era raro ver um céu nublado com um tom tão bonito. Os raios de sol quase não conseguiam atravessar aquele mar de nuvens cinza metálico que estavam estacionadas no céu naquele dia, a luz parecia se acumular na nuvem e depois ser refletida para o solo, como se fosse um espelho sem reflexo de imagens, apenas a luz parecia vir de outro lugar.

As aves não estavam no céu como rotineiramente, estavam escondidas como se o dia não estivesse começado ainda, o relógio biológico do mundo parecia diferente, apenas algumas pessoas compartilhavam daquela visão do céu, a maioria estava dormindo profundamente enquanto o mundo estava mudado, com uma expressão divina, como se todo o mistério da vida estivesse ali naquele céu metálico, aquele lugar o lembrava do Olimpo, ou então até mesmo o paraíso.

Mas em todo sonho uma hora ele tinha que acordar e encarar a realidade, o despertador toca e ele acorda com um gosto estranho na boca, dessa vez ele quase se perdeu de novo entre o real e o imaginário, somente a imagem de sua mulher lhe confortando era suficiente para o ajudar a distinguir entre os mundos, apenas o amor de alguém poderia o ajudar a se situar em algum lugar e assim ele desejara dormir somente uma vez por mês novamente, pena que o corpo desejasse dormir todo dia.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Desigual


Acordei com cheiro de sangue nas mãos, não sei de onde veio esse cheio, poderia ser minha mente tentando pregar alguma peça? Não consigo entender, apenas o cheio persiste, minhas ideias se foram junto com meus sonhos.

Tonto de tanto tentar achar algo que faça sentido, não consigo enxergar nenhum caminho, meu tempo está nublado, minhas nuvens são cinza como a poeira deixada pelo fogo, só espera a hora certa de ir embora, só espero a hora certa para dormir.

Sei que os dias são diferentes, só que nos últimos anos eles tem sido iguais, nada mudou desde os vinte e dois, nada melhorou, tudo piorou, ao passar do tempo começamos a perceber o quão frágil são nossas vidas, como em uma batida tudo muda, não entendo como pode ser tão desigual à vida das pessoas, espero que a maioria delas não sinta esse buraco no peito, esse desespero de esperar por algo que pode durar a vida inteira.
Hoje não consigo ver o mundo como via antes de cair, não consigo mais sentir apego a pequenas coisas, é como se tudo fosse mudar de repente, só que não muda, nunca muda.