quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dia nublado


-Hoje eu não quero sonhar, disse o homem antes de dormir, pode ser que eu tente me prender em algo irreal que minha mente cria toda vez q eu durmo profundamente, tinha vezes que não conseguia distinguir entre realidade e fantasia após acordar de um sonho extremamente realístico. Sua imaginação era tão fértil que mesmo um cochilo poderia se transformar em uma viajem por um mundo nunca conhecido antes do beijo de Morpheus, parecia um estranho com vontade de dormir uma vez durante meses.

Ele sonhou com o mundo, com pessoas desconhecidas e com um céu nublado, um dia diferente onde tudo aconteceria de forma estranha, até mesmo o cantar do galo matinal não era o mesmo conhecido por nós, ele soava tão triste e tão mórbido como se soubesse de algo que estaria para acontecer, sabia que o mundo como conhecemos mudaria após esse dia nublado, o céu era um cinza metálico como se tivessem colocado papel laminado de alumínio no céu, havia certo brilho que o tornava magnífico de se ver, era raro ver um céu nublado com um tom tão bonito. Os raios de sol quase não conseguiam atravessar aquele mar de nuvens cinza metálico que estavam estacionadas no céu naquele dia, a luz parecia se acumular na nuvem e depois ser refletida para o solo, como se fosse um espelho sem reflexo de imagens, apenas a luz parecia vir de outro lugar.

As aves não estavam no céu como rotineiramente, estavam escondidas como se o dia não estivesse começado ainda, o relógio biológico do mundo parecia diferente, apenas algumas pessoas compartilhavam daquela visão do céu, a maioria estava dormindo profundamente enquanto o mundo estava mudado, com uma expressão divina, como se todo o mistério da vida estivesse ali naquele céu metálico, aquele lugar o lembrava do Olimpo, ou então até mesmo o paraíso.

Mas em todo sonho uma hora ele tinha que acordar e encarar a realidade, o despertador toca e ele acorda com um gosto estranho na boca, dessa vez ele quase se perdeu de novo entre o real e o imaginário, somente a imagem de sua mulher lhe confortando era suficiente para o ajudar a distinguir entre os mundos, apenas o amor de alguém poderia o ajudar a se situar em algum lugar e assim ele desejara dormir somente uma vez por mês novamente, pena que o corpo desejasse dormir todo dia.