sábado, 27 de dezembro de 2014

Memórias de um guerreiro Zen - II

Era ano novo na cidade pra onde fui levado, tudo parecia tranquilo enquanto as mães davam banho em seus filhos e esperava os homens com as caças, a brisa anunciava frio como era de se esperar pois estávamos entrando no inverno, os jovens estavam tendo aulas com os tutores no distrito oeste do vilarejo e eu me encontrava a meditar em minha cela, preso em corpo e alma, não sabia exatamente o que aconteceria comigo nas próximas vinte e quatro horas, um dos guardas entrou no local onde ficava as celas e perguntou meu nome, logo depois abriu a cela e pediu que eu o acompanhasse, achei perturbados o fato de eles terem me deixado livre e desimpedido para desferir qualquer golpe que eu desejasse afinal eu era um discípulo do mil passos, eu era o melhor guerreiro da do grupo depois de meu mestre, eles estavam ou me desafiando ou me desvalorizando, como bom pensador resolvi entrar na jogada deles e agir com calma, o guarda me levou até os aposentos de uma mulher bonita e com cheiro peculiar, ela me contou então que haviam invadido o coração do grupo somente para resgatar o filho que havia sido sequestrado a meses atrás, eu sabia dessa ação pois participei debatendo contra a ideia de sequestrar um nobre para conseguir dinheiro para manter o grupo, era questão de dias para tudo aquilo acontecer, o que nosso chefe não pensou é que seriamos invadidos daquela forma, a mulher era a irmã mais velha e protetora da família Jin e queria me dar a liberdade em troca de ensinar seu irmão mais novo a arte do mil passos, como eu não tinha escolha eu me tornei o tutor do pequeno Jinchao.


Na manhã seguinte foi acordado pelo pequeno Jin aos berros, era para me apresentar a senhoria Qunchi antes de começar o treinamento do garoto, após a primeira ceia do dia eu comecei os ensinamentos mostrando a ele a arte de escrever, no começo ele parecia sem paciência mais logo que foi pegando o jeito para a escrita, começou a se divertir com os exercícios, o almoço era arroz com vegetais e peixe grelhado, mudavam somente o tempero do peixe e as vezes tinha alguns vegetais misturados no arroz, era gostosa a refeição, bem melhor a que eu fazia quando era um mercenário.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Memórias de um guerreiro Zen

Naquele momento fiquei pensando sobre os atos finais dos guerreiros de Jade disse o humilde e querido amigo da família mais importante da vila, gostaríamos de lhe servir uma ceia em honra a sua grande liderança na guerra que se passou, estávamos em guerra a mais de duzentos anos, e perdemos incontáveis guerreiros tentando tomar a cidade da Pedra Negra, a maior cidade localizada no oriente, protegida por guerreiros ditos invisíveis com o poder do tigre branco.

Eu me chamo Leao e nasci em um vilarejo remoto produtor de arroz e vegetais, quando era bem criança a vila foi invadida por assassinos e eu fui tomado e criado por eles, o meu mestre Mil Passos era um monge desertor que possuía grande sabedoria e era mortal em lutas, possuía a mente ágil assim como o corpo, e parecia sempre saber as respostas quando havia problemas, ele era o segundo na linha de comando do grupo Tigre Branco, mas até mesmo o líder que era seu irmão mais velho o respeitava. Quando tinha vinte anos de idade ouvi a historia de como meu mestre se tornou  mil passos, ele acabou sozinho com dez soldados que se intitulavam os mil passos, eram os melhores guerreiros da região e defendiam o portão de Jade da cidade Pedra Negra e acabou por tomar o apelido do grupo. Eu fui criado para ser um guerreiro como meus companheiros, porém minha alma pertencia à filosofia, eu entendia a necessidade da guerra, porem não compactuava com sua ação, preferia ler e escrever ao guerrear. Meu mestre sempre dizia que a mente sábia não erra o golpe e assim tomei gosto pela arte de pensar.


Passava a maioria das noites meditando e tentando ouvir o som do mundo, o vento passando sobre minha janela e fazendo o barulho mais confortante que eu conhecia, era o som que me deixava tranquilo, era o som da minha paz. Em certa noite fomos atacados por um grupo mercenário rival e fui feito prisioneiro por vários meses, onde conheci um homem que se tornaria meu irmão mais tarde. Minha história começa exatamente no final da minha paz, quando tive que mostrar para o mundo a minha arte de lutar e pensar.